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A memória, o tempo e o pensamento

  • 25 de Agosto de 2021
  • Quando o primeiro tijolo se dispôs a erguer a Faculdade de Medicina de Olinda, eu o olhava com uma elevada dose de gratidão e de esperança.

    Ao ver a primeira turma de médicos formada por nós, voltei, em silêncio e sozinho, àquele mesmo lugar da fundação inicial e percebi que a memória cuida de conservar mais do que imagens: ela preserva princípios.

    Prometi a mim, sob o olhar de Deus, tendo aquele tijolo como testemunha, que faríamos mais que paredes: faríamos um compromisso com a vida!

    Formar médicos é mais do que dividir conhecimento e atribuir diplomas. É construir cidadãos, gente envolvida com empatia, comprometida com a dor do outro. No fim, é contribuir para a construção de uma sociedade com sentimento de coletividade, onde o conhecimento técnico-científico somente tem sentido se for utilizado a serviço do bem comum.

    Revisitando o ontem, percebo que os nossos princípios permaneceram os mesmos, na busca de um ensino de excelência, de incutir em nossos alunos valores humanos, compromissos éticos, dando de si, antes de pensar em si.

    Não faltaram dificuldades nessa caminhada, mas sobraram ânimo, trabalho e fé.

    Deslocamos nossos recursos para aprimorarmos constantemente nossa infraestrutura física e tecnológica. Contamos com abnegação de um corpo funcional leal e a inteligência de professores de excelência.

    Muito além do que podíamos imaginar, nesse período o Brasil e o mundo mudaram. Uma pandemia aniquilou milhões de vidas. O funcionamento da sociedade foi alterado brutalmente, obrigando-a ao isolamento. Os recursos econômicos minguaram e um sem-número de empresas conheceu a quebra.

    Mas nós continuamos, ainda que nos fosse imposto sacrificar tantos projetos que tínhamos em pauta para nossos alunos e para a comunidade em geral.

    Adaptamo-nos. Fizemos vigorosos investimentos em tecnologia, pessoal e treinamento, a fim de – em um novo ambiente – continuarmos a produzir conhecimento. Mas não um conhecimento frio, estético, convencional. Permanecemos humanizando nosso corpo discente.

    A FMO foi umas das primeiras instituições brasileiras de ensino superior na área de saúde a defender junto ao Ministério da Educação – mesmo em meio à pandemia - a integração das atividades de graduação dos alunos de medicina ao trabalho dos serviços de saúde, assumindo, na linha de frente do combate à pandemia, a sua parcela de responsabilidade no combate à COVID-19.

    Mantivemos as atividades dos alunos vinculados ao regime de internato ou residência, sempre adotando todas as ações sanitárias necessárias à segurança daqueles alunos esforçados na contenção da pandemia da COVID-19.

    De modo que essa primeira turma que agora recebe o seu diploma saiu condecorada com a prática de saber ser humana! Compreendeu que há no médico um inato dever cívico, sendo-lhe indispensável dar eficácia aos princípios de comprometimento com a saúde pública e com o seu desenvolvimento técnico-científico, atributos inafastáveis para o exercício da medicina.

    A primeira turma de médicos da Faculdade de Medicina de Olinda é o nosso primeiro tijolo lá fora. É a nossa semente lançada e que irá florescer com vigor, justificando nosso trabalho e incentivando a continuidade de nossa caminhada.

    Quando a memória me trouxe essas relíquias do início de tudo, fez-me ver que o tempo, essa ilusão através da qual Deus nos permite realizar, abençoou nossa caminhada e presenteou nossos esforços.

    À memória e ao tempo, une-se aqui meu pensamento e o de toda a coletividade que faz a FACULDADE DE MEDICINA DE OLINDA para externar nossa gratidão por podermos ser. Porque somos quando realizamos o outro, pelo outro e em função do outro.

    Parabéns aos que fazem a primeira Turma de Médicos da Faculdade de Medicina de Olinda (2021.1). Obrigado pela existência de cada um de vocês.

    Inácio de Barros Melo Neto, Diretor Geral da Faculdade de Medicina de Olinda